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sábado, 1 de maio de 2010


Uma menina simples, que vivia ao som de Beatles e Rolling Stones até ser corrompida pela imprudência da humanidade. Passou a usar drogas e a se prostituir para comprar mais droags; a facilidade com a qual conseguia tudo o que desejava era impressionante e assustadora, principalmente pra mim.

Passava noites e noites sem voltar pra casa, jogada em esquinas encardidas da cidade; ia de bar em bar oferecer seus serviços: homens, mulheres, casados, solteiros, novos, velhos... Eram todos iguais, desde que pudessem pagar no fim da noite. Realizava todas as fantasias que seus clientes quisessem - isso tudo com apenas 16 anos.

            Aos 18 descobriu que era portadora do vírus da AIDS. E como viver agora? – pensou ela. Seu sustento dependia da quantidade de pessoas que com ela dormiam por noite. Todo o seu apartamento de luxo na zona nobre da cidade fora montado com a única forma de trabalho que ela conhecia. Teria que aprender a fazer alguma outra coisa que não se vender.

            E em meio a todos esses conflitos eu a conheci, certa noite numa boate local. Naquela noite ela não estava maquiada ou bem vestida, estava com a maquiagem dos olhos borrada, como se tivesse passado as ultimas horas chorando a fio; um cheiro forte de cigarro e whisky impregnava-lhe o espaço ao redor. Apesar de tudo, eu senti que havia encontrado a mulher da minha vida, mesmo que ela tivesse perdido a si própria em alguma cama num hotel barato qualquer.

Desde aquele dia eu a amei e cuidei dela de todas as formas possíveis. Infezlimente, não pude desfrutar por muito tempo sua presença terrena. Apenas dois anos depois da noite mais perfeita da minha vida, ela se foi.

E levou com ela a melhor parte de mim. Eu também sou soro-positivo, desde que nasci, tendo contraído a doença ainda no ventre de minha mãe; escrevo esta nota deitado na cama do hospital onde, espero, será meu leito derradeiro. Agora, largo a caneta para aproveitar meus últimos minutos pensando na minha amada Ellena.

                                                                                   Adeus,

                                                                                                          Frederico.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Nós que aqui estamos...

por vós esperamos.


domingo, 4 de abril de 2010

bad trip

Um cheiro forte dominava o ar anquele estreito corredor. Minha calça jeans jazia ao lado de minha cama, manchada de sangue - assim como a cueca encardida que estava usando. A fonte de sangue? Minha ex-namorada; o estilete enferrujado ainda estava na minha mão, escorrendo o vermelho sangue que caia fazendo PLOC-PLOC no chão. HAHAHAHA! ecoava minha gargalhada sarcática e demoniacamente e eu, definitivamente, não ligava. "Aquela vadia tava mesmo merecendo morrer"... No entanto, o odor que impregnava o ambiente não era de sangue ou da recente putrefação; meus olhos vermelhos e arregalados entregavam-me perfeitamente: maconha. Cocei o olho com a mão que ainda segurava o estilete e, sem querer, fiz um corte não tão profundo no meu rosto angelical - talvez nem tanto; De qualquer forma, um corte era o menor dos meus problemas. Tinha que desaparecer ou sumir com aquele corpo. Então, eu acordei.

Esfreguei os olhos com força para sair daquele pesadelo frenético e homicida. Incrivelmente, tudo parecia exatamente igual ao meu pesadelo, com exceção de uma coisa: não havia corpo algum ali. Porém, o curativo em minha face deixava muito claro que não fora um pesadelo ou uma bad trip, tinha sido real. Grande coisa, a biscate tinha sumido e ninguém jamais poderia me culpar de seu homicídio; agora era só curtir a vida como se nada tivesse ocorrido.

sábado, 19 de setembro de 2009

Untitled X

Das garras negras,
O sangue escorria - ainda quente.
Os lábios, outrora, rosados
Jaziam gelados sob as lápides.

As asas curvas,
em forma de foice,
Ceifando a força daqueles que vivem.

Um grito desesperado,
Haveriam de perceber?
A morte estava próxima...
O qe fazer? O que fazer?

O inimigo devia ser destruído
Ele - tal qual minha semelhança -
Traria a desgraça, a dor e a desesperança.

Onde, antes, não havia guerra,
Agora amontoava corpos.
Até que o herdeiro cruel
Seja destronado.
"Não cesse... Não cesse..."