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quinta-feira, 15 de abril de 2010

Do you really wanna live forever?

Estava louco, completamente insano.

- Não me levem a mal, mas de fato o estava e não mo negava. Como poderia eu vê-lo naquele estado doentio e não fazer nada? E não emitir reação alguma? Não poderia - eu não era um ser tão cruel assim; na verdade, meu coração bondoso é que o havia transformado naquele monstro: um homem sem escrúpulos e viciado. Ah! Não joguem a verdade diante de meu rosto como se eu fosse cego, eu já a vi nua e crua; já a vi tão bêbada e cambaleante que fechei os olhos para não cegar-me com sua crueldade, mas não mudou nada: nem em mim, nem nele. Erámos os mesmos, não as crianças puras de outrora, da aurora de nossas vidas; mas monstros, sim, monstros sedentos e famintos, dispostos a tudo quanto fosse necessárioo para adquirir conhecimento e vida eterna.

Sonhos vis e cegantes, que nos fizeram pegar em belicosas armas do destino, do caminho traçado para nós - caminho que podia ter sido desviado, não fosse nossa ganância. Noites e noites à fio, buscando loucamente a verdade sem jamais encontrá-la.

Mas o que são algumas noites para quem terá a Eternidade? Era esse o pensamento, essa certeza que me mantinha viva; de qualquer forma, melhor - de alguma forma, a forca esvaia-se de mim sem que eu pudesse notar até que a sombra da Morte abateu-se sobre mim inexplicavelmente e eu percebi que buscava a eternindade de forma errônea; buscava-a mediocrimente, como ser humano falho e cego pelo emanado do poder.

Estou louco, completamente insano. E agora possuo toda a eternidade para que a Verdade se mostre a mim despida do véu da cegueira humana, nua - como eu sempre a quisera. Mas dane-se também, agora nada daquilo importava ou fazia sentido.

A imortalidade abrira minha visão de um maneira inexplicável e eu pude sentir paz; paz jamais sentida em vida.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Amor Proibido

"O que é imortal"...

"A chuva escorre pela janela, acompanhando minhas lágrimas" - pensou ele, enquanto observava a lua minguante no firmamento. A vida era mais sombria desde que Peter se fora; nada fazia sentido, todos os tons se tornaram pálidos, as notas não eram mais vibrantes...

E assim os dias passavam: numa palheta de cores frias, onde as horas demoravam milênios pra passar e a noite trazia o desespero e a desolação. Não haveria o amanhecer enquanto as coisas não tornassem a ser como antes.

O sol era o maior suplício daquele homem, somente a lembrança dos momentos passados com seu amado salvam-no do desejo da morte.

"Enquanto for um terço meu"...

Os passos eram sôfregos; a jornada, longa... O caminho mais suave parecia ser feito de finissímas agulhas. Ele era seu sol, o motivo pelo qual levantava todas as manhãs - agora, só restava o marasmo e a solidão. A promessa feita sob a cerejeira havia sido quebrada. "Enquanto eu respirar, até o meu último suspiro e mesmo depois que a vida me for ceifada - mesmo nesse momento, me lembrarei de você. Nem a própria eternidade há de nos separar!". E quem disse àquele homem que a eternidade dura "pra sempre"? Ninguém o avisou que o "pra sempre" sempre acaba?

Uma palavra dita levianamente enlouquece o jovem coração apaixonado. Principalmente, quando o amor é proibido, ilícito - como o destes dois rapazes, ele enlouquece, perturba a mente. Transforma sentimento em razão.

"Então, mesmo quando tudo estiver perdido
Eu ainda terei você!"

Ryu não sabia por mais quanto tempo aguentaria tamanho sofrimento - a separação era muito dolorosa. O anseio constante pelo ardente calor, pelo toque sem pudor de Peter... As marcas nas paredes, as mordidas recentes, os lugares que freqüentavam juntos - cada uma dessas coisas acentuava a ausência dele, e alçava ainda mais a força para implorar perdão.

Então, naquela noite chuvosa de céu sem estrelas e lua minguante, ele voltou. Os olhos negros se perderam em lágrimas de felicidade.

- Peter, eu achei que você tivesse me abandonado! Você não imagina o quanto eu sentia sua falta.

- Ruy, juro que nunca mais vou fazer você chorar... A sua dor vai passar agora. - e, aproximando seus lábios dos dele, disse por fim: - Quero curar a ferida que cresceu dentro dentro de você e entre nós.

"O farol que me guia,
mesmo na mais profunda e densa 
Escuridão".