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domingo, 4 de abril de 2010

bad trip

Um cheiro forte dominava o ar anquele estreito corredor. Minha calça jeans jazia ao lado de minha cama, manchada de sangue - assim como a cueca encardida que estava usando. A fonte de sangue? Minha ex-namorada; o estilete enferrujado ainda estava na minha mão, escorrendo o vermelho sangue que caia fazendo PLOC-PLOC no chão. HAHAHAHA! ecoava minha gargalhada sarcática e demoniacamente e eu, definitivamente, não ligava. "Aquela vadia tava mesmo merecendo morrer"... No entanto, o odor que impregnava o ambiente não era de sangue ou da recente putrefação; meus olhos vermelhos e arregalados entregavam-me perfeitamente: maconha. Cocei o olho com a mão que ainda segurava o estilete e, sem querer, fiz um corte não tão profundo no meu rosto angelical - talvez nem tanto; De qualquer forma, um corte era o menor dos meus problemas. Tinha que desaparecer ou sumir com aquele corpo. Então, eu acordei.

Esfreguei os olhos com força para sair daquele pesadelo frenético e homicida. Incrivelmente, tudo parecia exatamente igual ao meu pesadelo, com exceção de uma coisa: não havia corpo algum ali. Porém, o curativo em minha face deixava muito claro que não fora um pesadelo ou uma bad trip, tinha sido real. Grande coisa, a biscate tinha sumido e ninguém jamais poderia me culpar de seu homicídio; agora era só curtir a vida como se nada tivesse ocorrido.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

1º de Fevereiro de 2010

17h 15m: E se as minhas contas estão certas, há 40 dias chove em São Paulo. E de onde, diabos, vem tanta água eu não sei. A chuva que cai agora é mais forte do que a dos outros dias. Tô sentada no chão, meus pés sentem o frio azulejo e se contorcem; tô usando a blusa do Rafa, o capuz cobre meus olhos parcialmente enquanto a minha mão percorre o papel. O som da chuva e dos trovões me acalma, desanuvia meus olhos e lava minha alma - sinto-me melhor agora. Estou começando a sentir minhas costas notando o desconforto do travesseiro torto encostado na parece e meus pensamentos distantes, altos...

17h 21m: Nada mudou. A chuva continua, eu continuo, nós continuamos coexistindo; ajeito a franja que cai sobre meu olho. Agora é meu pescoço que dói... Complicado. Minha irmã toca teclado no quarto ao lado, mas nem Mozart é capaz de me alegrar hoje. Estava lendo Laranja Mecânica (thanks to Rafa) e brisando oceanos: Anthony Burgess tem uma mente brilhante, confusa... Mas brilhante. Faço questão de ler sem consultar o "dicionário", e é engraçado me pegar tentando decifrar o significado das palavras absurdas que ele inventou.

17h 26m: E eu ainda estou aqui e a chuva lá fora, insistentemente. Agora, ela cai sobre mim por causa do vento e mancha a folha em que escrevo.

17h 27m: Minha irmã se balança na cadeira - sem noção. Começo a me irritar com essa coisa toda.

17h 28m: Adivinha? Eu ainda estou aqui e desejo que a chuva não pare. Um relâmpago caiu não muito longe daqui, sua luz embaralhou minha visão por um instante.

17h 29m: Descanso a caneta por um instante e me dirijo à janela aberta de meu quarto, contemplo a chuva por alguns momentos. Resmungo mais um pouco e sinto meu coração acelerar por um não-sei-o-quê. Canso e desisto. Não podemos ganhar todas as lutas.

17h 32m: Despeço-me desse pedaço de celulose muito amável que me cedeu sua atenção. Talvez em outro momento volte a desabafar com ele.